Mostrar mensagens com a etiqueta Ovelha Negra. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Ovelha Negra. Mostrar todas as mensagens

4.2.10

"O Resto É Silêncio", de Augusto Monterroso

Editor: Oficina do Livro/2007
Colecção: Ovelha Negra
Páginas: 194
Preço: 14 €

Sinopse: Esta é a história de Eduardo Torres, cidadão ilustre de San Blas. Recorrendo a testemunhos, selectas, aforismos, ditos ou simples colaborações espontâneas, entre outros elementos de natureza biográfica, O Resto é Silêncio dá-nos a conhecer a vida e a obra de um homem que ao longo dos seus dias "chegou, viu e foi sempre vencido, quer pelos elementos, quer pelas naus inimigas".
Compilado por um tal Augusto Monterroso, o texto esconde a sua natureza ficcional e apresenta-se como legítima homenagem biográfica a um pretenso intelectual portador dos grandes valores universais, o que vai sendo desmentido pelas estratégias textuais do próprio Augusto Monterroso. Desta forma, o autor apresenta-nos um mundo de equívocos, simulações e espelhos, onde a mestria narrativa, a retórica clássica, a ironia refinada, o humor inteligente e a intertextualidade (Melville, Cervantes ou... Monterroso) se combinam admiravelmente.

Esta obra é considerada por muitos críticos como o D.Quixote contemporâneo

Vencedora dos prémios Prémio Juan Rulfo e Prémio Príncipe das Astúrias das Letras.


Sobre o autor: Augusto Monterroso, figura maior das letras guatamaltecas, nasceu em 1921 em Tegucigalpa, nas Honduras. Em 1944, por motivos políticos, exila-se no México, país onde publica o seu primeiro livro, Obras Completas (y otros cuentos). Considerado um dos mestres da minificção e da narrativa breve, escreveu o famoso conto "Dinossauro", considerado o mais curto da história da literatura e objecto de inúmeros estudos, sendo ainda autor das obras Oveja Negra y demás fábulas, Movimiento Perpetuo e Viaje al centro de la fábula. Foi agraciado com vários prémios, entre os quais se destacam os prémios Juan Rulfo, Xavier Villaurrutia e Príncipe das Astúrias das Letras. A obra de Augusto Monterroso está traduzida em várias línguas, incluindo a latina e autores como Julio Cortázar, Carlos Fuentes, Juan Rulfo ou Gabriel García Márquez reconhecem a influência que este autor exerceu na sua escrita.

Fonte: Oficina do Livro
____________________
Esta foi uma das minhas últimas aquisições e parece ser uma obra e tanto! Se a quiserem, aproveitem a promoção da Oficina do Livro que o está a vender por 4,99€! alguns outros títulos desta colecção virada para os grandes, GRANDES escritores Latino americanos também estão com desconto, aproveitem! eu já aproveitei! Se virem o livro "A Prisão" de Jesús Zaráte, aconcelho-o vivamente, é um dos meus livros favoritos.

Tatiana

26.10.09

Crítica: "A Prisão", de Jesús Zaráte

Editora: Oficina do Livro
Edição: 2007
Colecção: Ovelha Negra
Páginas: 296
Preço: 17€


Sinopse: Antón Castán está detido há três anos por um único delito: o de não ter cometido nenhum crime. Na cela, vai registando diariamente o quotidiano prisional e dissertando filosófica ou culturalmente sobre a justiça, a liberdade ou a inocência. A chegada à prisão de um novo director, conhecido pela sua crueldade, desencadeia um motim, com consequências imprevisíveis.
Unanimemente considerada uma das grandes obras latino-americanas, A Prisão configura não só uma elegante sátira da instituição prisional ou dos administradores de injustiças, como constitui uma oportunidade para evocar o melhor da escrita de Dostoiévski, Kafka ou Camus.

Sobre o autor: Jesús Zárate nasceu na Colômbia em 1915. Iniciou-se muito cedo no jornalismo, acabando por se dedicar à diplomacia. A sua obra literária abrange peças de teatro, contos, ensaios e dois romances - A Prisão e O Carteiro, ambos editados a título póstumo.
Em 1972 recebeu o Prémio Planeta, atribuído pela primeira vez a título póstumo e a um escritor latino-americano. Aquando da sua publicação, A Prisão vendeu mais de 50 mil exemplares logo na primeira semana.
____________

Opinião: Este é sem dúvida um dos livros que mais prazer me deram a ler! Adorei especialmente o Mister Alba, com os seus discursos e o seu ar de orador e filósofo! É um livro que nos depara com o dia-a-dia prisional em que até um rato serve de pretexto para conversa...

"... nenhum leitor inteligente, exigente e sensível deixará de amar A Prisão, de Jesus Zárate."
Esta afirmação define muito bem este livro, já que é um livro muito bem escrito, sob a forma de diário, e que revela o dia-a-dia de um presidiário.

Antón Cástan é um homem que fora detido e preso por um crime que não cometera – violação e assassinato de uma rapariga – e durante três anos é obrigado a viver preso. Com os seus amigos de cela, a quem destaco o Mister Alba, viverá momentos difíceis quando um novo director chega à prisão. Após a chegada de vários camponezes à prisão, Antón Castán e os prisediários envolver-se-ão num mutim qu mudará a vida de Antón.

Está super bem escrito e as personagens são fantásticas, especialmente o filósofo, orador e amigo Mister Alba que me fez rir vezes sem conta com as frases e ironias de Vargas Vilga, a quem era muito devoto. O enredo deste livro é contagiante e o humor negro e os pensamentos ora cativantes, ora estranhos dos companheiros de cela tornaram deste livro um dos melhores que li!
Ficam aqui dois excertos que mostram um pouquinho da ironia e das conversas presentes nesta obra:
« - Antón, leu o Código Penal?
Medito um pouco antes de responder. Finalmente digo:
- Sim. Ler códigos é um bom exercício para a mente. Um escritor lia o Código Civil para aperfeiçoar o estilo. Eu leio o Código Penal para o piorar.»

« - Eu prefereria a cadeira eléctrica - diz Mister Alba. - Vivo sob a influência da civilização norte-americana. Gostava que me sentassem na cadeira eléctrica, desde que antes de carregarem no interruptor me permitissem saciar a sede com uma Coca-Cola fresquinha. A cadeira eléctrica é uma forma técnica de matar. Com ela desaparece a barbárie das turturas clássicas.»

Recomendo sem reservas! Considero-o uma verdadeira obra prima!

PS: desculpem lá o comentário curto mas já li este livro há uns mêses e como tal já não me lembro de muitos detalhes...

(Publicado a 6/10/09 n'O Cantinho da Tati)