28.7.10

Nota ao Acaso


O poeta superior diz que efectivamente sente. O poeta médio diz o que decide sentir. O poeta inferior diz o que julga que deve sentir.
Nada disto tem que ver com a sinceridade. Em primeiro lugar , ninguém sabe o que verdadeiramente sente: é possível sentirmos alívio com a morte de alguém querido, e julgar que estamos sentindo pena, porque é isso que se deve sentir nessas ocasiões. A maioria da gente sente convencionalmente, embora com a maior sinceridade humana; o que não é com qualquer espécie ou grau de sinceridade intelectual, e essa é o que importa no poeta. Tanto assim é o que não creio que haja, em toda a já longa história da Poesia, mais que uns quatros ou cinco poetas, que dissessem o que verdadeiramente, e não só efectivamente, sentiam. Há alguns, muito grandes, que nunca o disseram, que foram sempre incapazes de o dizer. Quando muito há, em certos poetas, momentos em que dizem o que sentem. Aqui e ali o disse Wordsworth. Uma ou duas vezes o disse Coleridge: pois a Rima do Velho Nauta eKubla Khan são mais sinceros que todo o Milton, direi mesmo que todo o Shakespeare. Há apenas uma reserva com respeito a Shakespeare: é que Shakespeare era essencial e estruturalmente factício; e por isso a sua constante insinceridade chega a ser uma constante sinceridade, de onde a sua grandeza.
Quando um poeta inferior sente, sente sempre por cadernos de encargos. Pode ser sincero na emoção: que importa, se o não é na poesia? Há poetas que atiram com o que sentem para o verso; nunca verificaram que não o sentiram. Chora Camões a perda da alma sua gentil; e afinal quem chora é Petrarca. Se Camões tivesse tido a emoção sinceramente sua, teria encontrado uma forma nova, palavras novas – tudo menos o soneto e o verso de dez sílabas. Mas não: usou o soneto em decassílabos como usaria luto na vida.
O meu mestre Caeiro foi o único poeta inteiramente sincero do mundo.

Álvaro de Campos, in “Sudoeste”, nº3, Lisboa, Novembro de 1935

15.7.10

Neste Verão as palavras sorriem! Passatempo

Civilização incentiva à leitura com oferta de livros

Com o intuito de incentivar a leitura dos portugueses, numa altura que habitualmente têm mais tempo para dedicar aos livros, a Civilização Editora acaba de lançar uma campanha de Verão exclusiva com oferta de livros.
“Neste Verão as palavras sorriem” é o slogan da campanha e www.aspalavrassorriem.com o endereço do microsite que reúne toda a informação acerca desta iniciativa.
Para participar, o leitor deverá registar-se no microsite da campanha até ao dia 31 de Agosto de 2010, encontrar a(s) palavra(s) escondida(s) e escolher o livro que gostaria de ler. Existem regras diferentes para quem comprou um livro ou para quem recebeu um convite via WEB. Ambos os regulamentos estão disponíveis no microsite da campanha, bem os livros disponíveis para oferta.
Para ajudar a encontrar as palavras escondidas, há diariamente informações na homepage do microsite. Faça parte desta campanha
e fique atento ao microsite, ao Facebook e ao Twitter da Civilização.

Não deixes passar esta oportunidade. Segue o nosso exemplo e PARTICIPA!

A equipa Tastethisbook